"A Bela e a Fera"


5 razões palas quais 'A bela e a fera'e cheio de mentiras e ilusões

A Disney é a empresa campeã de distorção de histórias, nem que já sejam coisas inventadas e com o propósito de dar lições de moral aos telespectadores. Isso não chega a ser uma surpresa. O que a Disney não esperava é que mesmo mudando completamente uma história bizarra o bastante, ela conseguiu criar um conto forjado em mentiras, interesses e fetiches estranhos demais para mulheres que figuram em lancheiras femininas. E o Puxa Cachorra! mostra o motivo, com 5 razões pelas quais A Bela e a Feraé cheio de mentiras e ilusões:

pelo convidado especial Carlos Nobre | @_cenobre




#5 A beleza interior é que conta, principalmente se a pessoa for bonita por fora

No filme: A grande lição de moral de “A Bela e a Fera” é que um bom coração pode superar qualquer feiúra, mesmo que seja a feiúra de um cachorro-lobo-urso de mais dois metros, cujo mero “cuti-cuti” pode rasgar sua face na metade. Bela amansa Fera com seu jeito educado e sua beleza e com o poder do amor eles vivem felizes para sempre.



Mas, na verdade... Vivem felizes para sempre, com o Fera se tornando um ser humano bonito e educado. Juntamente com o conto “O Patinho Feio”, “A Bela e a Fera” da Disney tem o final mais hipócrita de todos os contos infantis. Afinal, de quê adianta passar quase duas horas de filme esfregando na cara do telespectador a importância da beleza interior, se no final a recompensa é a beleza exterior, tão desdenhada durante a película?

Por outro lado, há de se entender o lado da Disney. Seria muito estranho deixar uma mulher pálida e frágil como a Bela se enamorar com uma besta. As criancinhas poderiam entender tudo da maneira errada e começar a levar muito a sério o amor que sentem por aquele seu poodle de estimação que passa o dia carcando a almofada caída do sofá.

 
Acima, cachorro desesperado para voltar a ser príncipe


#4 Maurice não tem um bom 'timing'

No filme: Fera liberta Maurice, o pai de Bela, em troca mantê-la em cativeiro. Desesperado, Maurice volta à vila e diz a todos que sua filha foi sequestrada por Fera e pede socorro. Gaston e os demais o jogam num hospício, mas depois vão à caça de Fera.


Mas, na verdade... Não dá para dizer que Maurice fez por mal, afinal temos de compreender o desespero dele ao ver sua filha confinada no castelo com uma besta perversa que não tem uma companhia feminina há anos. Todavia, há de se lembrar que ele era explicitamente considerado o louco do vilarejo. Isso e anunciar para toda a vila que sua filha foi sequestrada por uma besta falante que convive em um castelo distante com objetos que falam e têm rostos humanos não te ajuda em nada. Ainda mais quando isso acontece numa época de pouca tecnologia em que tudo podia ser acusado de bruxaria ou considerado doença (que por sua vez era atribuída a atos de bruxaria). Me admira que a guarda real não tenha vasculhado sua casa em busca do cadáver (incesto era reprovável, mas não incomum naqueles tempos).


Gaston o joga num hospício, mas àquele ponto isso é mais considerado um serviço público do que uma maldade. Ninguém gosta da ideia de um louco varrido rondando as ruas de um vilarejo desprotegido.


#3 Gaston não é tão mau assim 

No filme: Gaston é o transão da vila. Ele é forte, bonito, relativamente rico e tem todas as mulheres da vila sob seus pés. Porém, ele quer o amor de Bela e para isso chantageia a mocinha em troca da salvação de seu pai. É tido como vilão por isso e por liderar a caça ao Fera.

Christopher Reeves só ficou com o papel  de Superman porque Gaston não tinha espaço agenda.

Mas, na verdade... Gaston era egocêntrico, chantagista e caçador (o que pra Disney e seus fãs significa “matador de animais fofuxos, mesmo que a caça seja algo normal e tenha feito a raça humana sobreviver por todos esses anos”). Todavia ele sempre se mostrou cegamente apaixonado por Bela, a ponto de ignorar todas as demais mulheres da vila, inclusive trigêmeas loiras e peitudas. Isso, amigos, é amor de verdade, diferente do Fera, que só esperou ela cair de mãos beijadas em seu colo. Tá certo que Gaston não era o mais cortês, mas basta uma visita a qualquer balada ou uma lida em uma revista “Capricho” para saber que o estilo bad boy de Gaston não era uma das piores investidas.

 
Ainda mais se seu modelo de mulher for Paris Hilton.

Gaston pode não ter jeito com mulheres do tipo da Bela, mas ele era um cara legal. Seu erro foi deixar o sentimento subir à cabeça. É só relembrar a cena musical dedicada a ele. Ele é amigo de todo o vilarejo (todo mundo canta com ele) e ainda dá cerveja para todos. 
 Enquanto isso, Fera também começa com um jeitão bad boy, mas fatura a garota. Isso se dá porque...


#2 Bela é interesseira, sofre de Síndrome de Estocolmo e/ou tem fetiches estranhos

No filme: Bela passa quase metade do filme cantarolando/reclamando que gostaria de sair da vida bucólica do vilarejo (naquela época não existia Twitter, então era o jeito que restava para expressar descontentamento). Apesar do seu sonho, ela se torna refém de uma besta e é fadada a viver com a paranoia de estar sendo observada por todos os objetos de um castelo gigantesco (No lugar dela, eu não tomaria banho nunca e jamais tocaria nas torneiras ou maçanetas do castelo) Apesar desse pesadelo real, Bela se apaixona por seu raptor, a ponto de defendê-lo quando o resgate vem salvá-la. Isso, amigos leitores, é o principal sintoma da síndrome de Estocolmo. Mas vamos lá, isso não é passível de culpa alguma, acontece. Só é esquisito figurar numa lista de poréns de uma princesa da Disney.




Mas, na verdade...Por outro lado, a grande sacada do filme é algo nojento e passa despercebido pela audiência, já encantada pelo pirilimpimpim e musicais fofuxos decorridos durante o filme: Bela se apaixona por um animal. Por uma besta. Por um ser vivo não humano. Lembre-se que, à exceção dos moradores do castelo, ninguém sabia que Fera era uma príncipe humano enfeitiçado e que ninguém podia falar nada, pois colocaria a cura do feitiço em risco. Sendo assim, é um fetiche bem doentio, principalmente para uma pessoa tão culta e bem instruída como Bela. Nojento, no mínimo.


Pode ser – inteligente como era – que Bela tenha percebido que Fera era humano e bonito ao deparar-se com sua imagem próximo à flor enfeitiçada, quando ela invade o quarto privado do dono do castelo. Se for esse o caso, Bela é uma vadia interesseira. O amor verdadeiro que salvou Fera ao fim do filme, na verdade, era o amor de Bela pela luxúria que Fera a proporcionou e proporcionaria no futuro. Ela percebeu que tinha alguma feitiçaria no ar e que pelo sim, pelo não, com uma besta ou com um príncipe garboso, ela estaria rica. Só isso bastava 
É um relacionamento reprovável de qualquer maneira: se ela sabia que ele era um príncipe, é como uma jovem dar em cima de um velho rico. Se ela não sabia, é como aquele filme em que um cachorro namora um golfinho.

No caso de você não conseguir se lembrar.


#1 A fada é a verdadeira vilã


No filme: Uma senhora encara uma tempestade, sobe até o castelo, e é recebida pelo príncipe. Ela oferece uma flor em troca de abrigo no castelo, mas seu pedido é rejeitado de maneira grosseira. Furiosa, a senhora se revela uma fada e impõe um castigo ao príncipe e todos do castelo, transformando-os em objetos vivos. O príncipe se torna uma besta e tem sua salvação à mercê de uma frágil flor ou da descoberta do verdadeiro amor.

Um mapa para auxiliar na descoberta do verdadeiro amor.

Mas, na verdade... Imagina você estar no conforto do seu lar, com os seus empregados fazendo o trabalho deles e de repente surge um mendigo querendo dormir na sua casa em troca de uma flor. O mendigo mal sabe se você teve um dia ruim, se estava dormindo, se terminou com sua namorada e por você tratá-lo de maneira grosseira, ele te transforma no irmão mais velho do Chewbacca e a todos que residem na sua casa, sem ao menos considerar que você podia estar com visitas. É isso que acontece no filme. Jesus Cristo, até o CACHORRO é amaldiçoado, se transformando em conforto para os pés.

E o filme mostra que um virou conforto de pé, outro virou castiçal, relógio, chaleira... Mas ao julgar pelo tamanho do castelo, é de se imaginar que alguém possa ter virado descanso de rolo de papel higiênico. E convenhamos que pior que ser a fera do filme, é ser o cara em quem a fera limpa o rabo todo dia. 

 
Não tá fácil para ninguém.
Isso se torna mais dramático se você notar como o pessoal do castelo entra em polvorosa quando Bela aparece, tentando convencer o príncipe que ela pode ser aquela que vai quebrar o feitiço. Amor uma ova, eles tavam doidos para saírem daquela condição, por isso foram tão hospitaleiros com o pai da Bela. Qualquer coisa possível de ser amada estava valendo para tentar quebrar o feitiço.

Uma velha dá uma maçã envenenada a uma mulher e é chamada de bruxa. Outra velha oferece uma flor, testa a paciência de uma pessoa, amaldiçoa centenas de pessoas porque tem problemas de rejeição, transforma um ser humano num monstro e impõe que uma pessoa normal tenha que se atrair por esse monstro e é chamada de fada.

Se tem uma coisa que aprendi com isso, não é que a beleza interior é que conta. É que não se pode dizer não a uma mulher.

Muito bom esse blog vale a pena ver